“Pode-se até começar a sentir-se chez soi, em casa, em qualquer lugar – mas o preço a ser pago é a aceitação que em lugar algum se vai estar total e plenamente em casa.”
Zigmunt Bauman
Realmente... mesmo com a minha casa, eu ainda não me sinto em casa. A única casa que eu afirmo que tenho é aonde eu morei minha vida toda, que hoje é a casa do meu pai. Vim morar num lugar novo, onde tudo o que existe aqui, pra mim, é novo. Me sinto bem, com nunca me senti. Pago as minhas contas, por mais que às vezes, recorra ao meu pai. Mas o que de mais novo eu descobri aqui, foi a minha capacidade de amar. Não que eu nunca tenha amado, mas dessa vez foi diferente. Não é como o amar que eu sempre estive acostumada. Amor aos amigos, familiares e ao meu afilhado. Esse é diferente!
Não só em relação a isso, eu mudei. Descobri uma pessoa em mim, que não pensei que existisse. Onde eu vivia, eu não me importava com coisas e pessoas, que hoje, numa outra situação e com outras vivencias, eu aprendi a dar valor.
O sentimento pelo “Ser” me veio de forma traiçoeira. De repente, me vi envolvida e apaixonada, sentindo dentro de mim, uma felicidade, e ao mesmo tempo uma grande infelicidade. Aliás, essa me pegou grande parte do tempo. E o pior, me sentia ainda mais mal, por estar assim, numa situação que pra mim não era ruim. Afinal, eu era correspondida. Então, qual o motivo pra tanto sofrimento? É aí, que eu faço uma pergunta que ultimamente me atormenta: por que o ser humano tende a complicar tudo?
Isso não se aplica só a mim nessa relação, mas a ele também. Tudo bem, que ele tem um outro alguém. Mas por que não tentar???? O medo é maior que a vontade, então, não se consegue ser feliz, porque se não se tentar, sempre volta pra sua cabeça, aquilo: “mas e se...”. Meus pais, professores de História, sempre dizem que “e se”, não existe. Ou seja, é ou não é! E eu volto a dizer, e dessa vez a afirmar, o ser humano tende sempre a complicar.
Como tudo começou? Ele flertando comigo. Meu patrão. Mais velho (Putz! Bem mais velho!! Rs). Saí do emprego, porque ele paga muito mal, mas continuei indo lá flertar. Usava da desculpa de sair pra tomar uma cerveja com os meus amigos que lá fiz, depois do expediente. Tudo isso pra olhar pra ele. Descrição: careca (Não gosto de homens carecas. Tem que ter cabelo!), judeu (Pelo amor de Deus! Esse dado é só uma informação. Nenhuma referência ao fato dele ser mão de vaca, a religião judaica!), milionário (Não sou mercenária, mas como disse, são apenas informações). Com os cílios mais lindos e o olhar mais brilhante que já vi! Com um olhar penetrante... não um olhar qualquer e nem um 43, mas um olhar sessentão! Uma pegada na cintura, que só de me cumprimentar, eu já ficava de pernas bambas, o coração batendo de uma forma, que parecia que ia pular do meu peito pra algum prato de algum cliente daquele restaurante. E as famosas borboletas no estômago... uma sensação que vem de dentro do peito se expandindo pras pontas dos dedos, os deixando dormentes! Nossa, esqueci que o estava descrevendo, e acabei falando demais. Acontece, né?
Acontece, que por esse medo dele de tentar, a gente nunca ficou junto. A única coisa que eu sei mesmo, sem achismos, é que eu sou “uma tentação que ele prefere que nem fique perto” (isso dito com o mais belo sotaque gaúcho, tchê!). O resto, que é o que eu sinto, e o que pessoas (minha amiga, pra ser mais exata e sincera) percebemos... que ele gosta de mim. Já saiu daquela boca (que meu Deus, um dia hei de beijar!!!) que eu sou necessária na vida dele.
Mas como são as coisas. Não o vejo tem pra um pouco mais de duas semanas. Já não me sinto mal como estava. Não que esteja acabando alguma coisa que eu sinta por ele. Nada diminuiu, nada desapareceu. Eu simplesmente, não falo mais nele (todos ao redor agradecem. 24 horas por dia falando nele, dele... o tempo inteiro, ninguém tava mais me agüentando), mas eu parei. Ainda suspiro e sorrio pensando nele, mas disfarço pras pessoas não perceberem que eu ainda tô nessa. Depois de tanta certeza, incerteza, felicidade e sofrimento, eu ainda penso nele. Não mais tanto, mas penso. Penso que poderia ter sido tudo diferente, se ele não tivesse medo, e se eu fosse menos... ops! ... tão, também, medrosa. Pensei demais, e aposto que ele também. Pensamos no que poderíamos perder (eu nada, ele quase tudo). Pensei nas pessoas, o que diriam, meus amigos antigos, novos e familiares (não adianta, o ser humano sempre se preocupa com a imagem que passa para os outros, se você diz que assim não é... você está mentindo). Pesei na balança várias coisas. O que íamos enfrentar, só porque nos gostávamos. Ia nos desgastar, ou fortalecer (quem sabe? A gente nem tentou!).
Resolvi, depois de muito tempo sem vê-lo, que ia seguir em frente (porque pra mim, ficar sem vê-lo 3 dias é sofrimento demais... imagine quase 3 semanas! Parte de mim foi pro beleléu!). Que se for pra ficarmos juntos, amos de ficar... Enquanto isso não acontece, vou dar oportunidade aquele que sempre me quis, que me cativa, que me deixa bem. Por mais, que com o meu amor eu me sinta muito bem (mesmo sofrendo parte do tempo), mas ele não me deu a oportunidade de conquistá-lo de vez. Talvez, recorrer ao mais fácil, o já conquistado, seja uma forma de “jogar a toalha”... pode ser... mas só vou saber, depois que eu ver no que vai dar.

